Nossa querida fundadora Madre Agathe em suas conversações íntimas com o Espírito Santo rezava: “…E eu ainda assim, não sei o que de mim quereis!” Toda sua vida, decisões e atitudes são tocadas e moldadas pela ação do Espírito.

A vida de oração de quem tem o sacrifício como mística terá conotação bem particular. Tratar-se-á de oração de escuta e de discernimento. Ao rezar, a RIC coloca-se, inteiramente, à escuta dos apelos de Deus no tocante à vivência do sacrificar-se à juventude. Afinal, importa-lhe fazer a vontade de Deus- “Seja feita a vossa vontade, na terra, como no céu” (MT 6,10)-, sempre orientada para os jovens.

A oração de escuta sensibiliza para a vontade de Deus e predispõe a pessoa de fé a colocá-la em prática. A experiência de oração comporta, também, discernimento. Diante de Deus, a RIC pergunta-se pelas formas concretas de realizar a vontade divina, entre as muitas possibilidades de que dispõe. O Art. 11 § 2 elenca alguns elementos a serem discernidos. “Como parte integrante da Igreja, em comunhão com a autoridade episcopal e com nossos irmãos na fé , é que temos de discernir nossas opções apostólicas, nossos lugares de atuação, nossas condições de vida e nossas perspectivas de futuro levando em conta nosso carisma”. Tais decisões jamais poderão ser tomadas em clima de disputas apaixonadas, de pressão de quem quer que seja, tampouco, por motivos não confessados, no contramão do Evangelho. Antes, resultarão da escuta atenta do Espírito, num clima de docilidade espiritual de quem deseja, em tudo, fazer a vontade de Deus.

O discernimento possibilita repensar continuamente o caminho trilhado. Esta é uma forma espiritual de se prevenir o risco da acomodação, da alienação e do imobilismo. A oração autêntica cria um dinamismo espiritual capaz de impedir a religiosa de estar à margem dos desafios da história, da sociedade, da Igreja, pois este é o lugar onde lhe cabe viver, com fidelidade, a oferta de si mesma a Deus.

Na oração, a RIC será intercessora da juventude, colocando diante de Deus os sofrimentos e as angústias e também as vitórias dos jovens com quem trabalha. Tudo quanto diz respeito à juventude será motivo da oração.

O FUNDAMENTO INACIANO DO NOSSO CARISMA

As constituições do IRIC reconhecem o Art.2 das Constituições originais como fundamento da espiritualidade congregacional. E que “sua origem inaciana é indiscutível” (p.10). Madre Agathe Verhelle chamava santo Inácio de Loyola de “nosso pai Santo Inácio”. Na origem desta devoção a Santo Inácio, deve estar a devoção de Madre de Penaranda que “tinha desejado viver segundo a regra de Santo Inácio”. Quando Madre Agathe Verhelle organizou o primeiro grupo de irmãs, “a jovem comunidade desejou seguir as Regras da Companhia de Jesus, adaptadas às mulheres. Não possuíam o texto dessas regras, mas as Damas o conheciam de cor e, assim, sem grande dificuldade, Madre Agathe, ajudada por algumas irmãs, põe-se ao trabalho para redigi-lo. Madre Agathe deu o nome de Santo Inácio a uma das casas fundadas por ela, em 1834, em Anvers. Por outro lado, a presença de jesuítas nas origens remotas do Instituto pode ter sido uma possível porta de entrada da espiritualidade inaciana. O “espírito de disciplina que lhes veio da Regra de Santo Inácio” é um distintivo das RIC.

Os reflexos da espiritualidade inaciana são facilmente perceptíveis nas entrelinhas do Art.2. Está calcado nas anotações, no princípio e fundamento e na contemplação do reino dos Exercícios Espirituais (EE) de Santo Inácio. Para ser RIC é preciso “tirar de si todas as afeições desordenadas e, afastando-as, procurar e encontrar a vontade divina”, objetivo visado por Santo Inácio ao propor os EE. Quem assimilou a espiritualidade inaciana, num processo de libertação da liberdade, tem o domínio das paixões, ou seja, é crucificado para o mundo e morto para si mesmo.

Se a espiritualidade agatheana está calcada na espiritualidade inaciana, será preciso dar-lhe impostação humanizadora, em consonância com a antropologia que subjaz aos EE. Inácio, na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, olhou com positividade para o ser humano, deixando de lado as espiritualidades que o miravam com desconfiança e para tudo o que fosse relacionado com o humano. Os EE supõem a capacidade de o ser humano ordenas suas paixões a ponto de se tornar livre para fazer, única e exclusivamente, a vontade de Deus. O ser humano não está fadado à escravidão do pecado, do qual não tem como ser libertar. Antes, tem a capacidade de, com a graça divina, colocar-se em total sintonia com Deus, cuja vontade pode conhecer e á qual pode se submeter. Quando feita de modo inconveniente, a espiritualidade gera pessoas inseguras e dependentes, inaptas para serem discípulas, no modo querido pelo Mestre.

Os EE são concluídos com a contemplação para alcançar amor, onde se supõe grande consistência humana para se fazer a experiência indicada por Santo Inácio de Loyola. O exercitante é confrontado com o desafio de se entregar, com a mais total generosidade, colocando-se inteiramente nas mãos do Pai. O “ suscipe, Domine” – “Tomai, Senhor” – descreve o ser humano dando-se  todo  e tudo ao Pai, na disposição de que tudo se faça segundo a divina vontade. Só alguém , inteiramente, livre estará em condições de dar esse passo da liberdade que se entrega nas mãos do Pai, sem entrar em crise.

Esses pequenos flashes a partir da espiritualidade inaciana visam a mostrar como a espiritualidade aghateana deverá se pensar a partir de uma antropologia humanizadora, sem ranços de pessimismo e negativismo, se quer conectar como o modo de pensar  de Santo Inácio. A espiritualidade do IRIC deve ser “ marcada pela influência inaciana, porém, com acento particular na bondade e na atenção feminina pela juventude, os pequenos e os pobre que foi, permanece e permanecerá como o eixo principal do crisma do Instituto, encarnando-se em diferentes formas de ensino e de educação, que beneficiaram numerosas gerações”.

O rosto agatheana da espiritualidade inaciana supõe das RIC o esforço de encarnar a figura de Jesus educador. A libertação da liberdade, fruto da caminhada espiritual, prepara-se para assumir a evangelização do juventude, com espírito de sacrifício oblativo do que têm de melhor para oferecer. Trata-se de olhar, com positividade, para si mesmas e para os jovens, aquém são chamadas a servir nos moldes de Jesus educador.

NOSSA ESPIRITUALIDADE EM PRÁTICA

As RIC realizam um retiro anual com 5 dias de silêncio

Todo primeiro domingo do mês é reservado para retiro de 1 dia

Todos os dias é rezado o ofício divino em comunidade

Todos os dias é reservada 1 hora para oração pessoal

Há Celebração Eucarística diária

Semanalmente, há encontros em comunidade para partilhar a vida e para estudar documentos da Igreja e diversos temas

Oração diária do terço em comunidade