Madre Tarcísia Mesquita, propagadora de uma grande missão

Madre Tarcísia Mesquita, propagadora de uma grande missão

Em 2021, a chegada das primeiras Religiosas da Instrução Cristã ao Brasil completa 125 anos. Do alto do navio Nilo, cercadas pelo oceano, as irmãs sabiam que avançar para águas mais profundas não era apenas um apelo, mas uma certeza. Pela frente, uma grande missão as esperava e, rumo a uma terra que pouco conheciam, as missionárias chegam ao país dispostas a sacrificarem-se e consagrarem-se inteiramente à juventude.

Essa trajetória está documentada no livro “História das Damas Cristãs no Brasil”, escrito pela Madre Tarcísia Pitanga de Mesquita, Religiosa da Instrução Cristã. A obra foi lançada em 1996, por ocasião do centenário da chegada das primeiras irmãs ao país, e, vinte cinco anos depois, uma nova edição chega ao público, como parte das ações que celebram os 125 anos de missão brasileira.

Madre Tarcísia nasceu na cidade do Recife (PE), no dia 10 de maio de 1911, e, ainda na infância, já demonstrava forte tendência para o ensino. Conviveu, por muito tempo, com as Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo e, aos 23 anos, cativada pelo carisma das Religiosas da Instrução Cristã, ingressou na vida consagrada. Na fase do noviciado, teve como mestra Mérè Marie Alphonse, uma das pioneiras da congregação no país.

Tanto na congregação como no magistério, Madre Tarcísia exerceu diversas funções, assumiu cargos como superiora, diretora, conselheira provincial, entre outros. Em 1964, foi transferida para a cidade de Vitória de Santo Antão (PE), localizada a 51 km da capital pernambucana. Lá, tornou-se conhecida pela personalidade corajosa, decidida e atenta às necessidades humanas, principalmente das pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Além do livro, a atração pelas letras levou Madre Tarcísia a escrever os hinos dos Colégios Damas e Nossa Senhora da Graça. Ela foi a primeira pessoa a relatar a história de Irmã Adélia, vidente das aparições de Nossa Senhora, na Vila de Cimbres, em Pesqueira (PE). Grande entusiasta do esporte e da arte, a autora falava francês e inglês fluentemente. Em 1971, ajudou a fundar a primeira instituição de ensino superior da cidade de Vitória de Santo Antão.

A atual superiora da Comunidade Nossa Senhora das Graças, irmã Eliane Barros, lembra da religiosa com admiração e carinho. “Madre Tarcísia tinha uma personalidade forte, simples e humilde. Era, acima de tudo, uma mulher orante. Eu amei a experiência de conviver com ela durante tantos anos. Quando eu assumi a direção do colégio, em Vitória de Santo Antão, ela me ajudou muito na minha missão”, contou.

Em 07 de maio de 2011, foi promulgada a Lei Nº 3.533, que denomina a Escola Municipal Madre Tarcísia, localizada na Vila Cidade de Deus, no município de Vitória de Santo Antão. A homenagem foi um reconhecimento aos serviços prestados pela religiosa à comunidade cristã e à educação municipal. De volta ao Recife, Madre Tarcísia dedicou os últimos anos de vida à oração e à adoração ao Santíssimo Sacramento. Ela faleceu no dia 18 de março de 2005, aos 93 anos de idade.