Profissão Perpétua

A Profissão Perpétua é um estágio fundamental e definitivo na vida religiosa, no qual as religiosas que passaram pelo período da Profissão Temporária fazem seus votos religiosos de forma permanente. 

Durante a Profissão Perpétua, as religiosas fazem uma renovação solene de seus votos religiosos de pobreza, castidade e obediência, comprometendo-se a vivê-los por toda a vida, como um ato de entrega total a Deus e ao Instituto. Ao fazerem a Profissão Perpétua, expressam seu compromisso definitivo com a vida religiosa, aceitando viver segundo os princípios e valores do carisma e da espiritualidade do nosso Instituto.

O carisma-espiritualidade agatheano põe a juventude no centro de suas atenções, fonte de estímulo e inspiração nos passos de Madre Agathe. O carisma brota do processo de escuta atenta de Deus, no desenvolvimento da história, e do esforço de colocar em ação o fruto dessa escuta. Tal empenho exige se colocar em busca daquelas pessoas a quem Deus envia às RIC, por darem uma resposta positiva ao chamado-vocação. A metáfora evangélica refere-se ao pastor em busca da ovelha desgarrada, a ser encontrada e conduzida ao rebanho (Lc 15,4-7). Assim, as RIC correspondem ao pastor em busca da ovelha desgarrada em meio às juventudes.

Ao fazerem sua Profissão Perpétua, as religiosas assumem o compromisso de "dedicação amorosa à juventude [...], sobretudo aos mais vulneráveis" (art. 6), e se sentem "chamadas a atender com solicitude e com grande amor os interesses dos empobrecidos, vulneráveis e excluídos [...], vítimas da sociedade, com necessidades de ordem moral, espiritual e material, entregues a uma vida degradante, sem sentido e sem ternura e conduzidos por ideologias enganadoras" (art. 27). Compreendem que a solidariedade com os empobrecidos se torna pressuposto para a vivência do voto de pobreza (art. 42), mediação para o "acolhimento à juventude pobre" e o "humilde serviço a todos" (art. 43). Além disso, comprometem-se "com os mais vulneráveis em sua condição de vida", pois "não se pode ser pobre, segundo o Evangelho, sem conviver, na alegria, com os empobrecidos e sem ouvir os seus clamores" (art. 44). E entendem que os bens materiais do Instituto destinam-se a "atender às necessidades concretas dos pobres e da Igreja" (art. 111).

A Profissão Perpétua é acompanhada por celebrações litúrgicas especiais e pelo apoio e orações da comunidade religiosa. A decisão de fazer a Profissão Perpétua é resultado de um discernimento profundo e de uma preparação cuidadosa, envolvendo tanto a religiosa quanto o Instituto, para assegurar que o compromisso seja assumido de forma livre, madura e responsável. Esse discernimento contínuo é essencial na vida fraterna, pois "cada comunidade [procura] estar em constante estado de discernimento, na escuta do Espírito e no diálogo fraterno, para perceber a expressão da vontade de Deus e vivê-la no cotidiano" (art. 18).

Ao fazerem sua entrega definitiva, as religiosas vivem seu carisma-missão com espírito profético, próprio das discípulas de Jesus de Nazaré, o profeta por excelência (Lc 4,17-21). "Com a força profética do nosso carisma, em nome e em comunhão com a Igreja, somos enviadas a testemunhar a alegria do Evangelho e a cooperar na 'propagação da Glória do Senhor' com criatividade, dinamismo e ardor missionário" (art. 21). "Em um mundo marcado pela sede insaciável de crescimento material e de consumo", têm consciência de que Deus as convida "a contestar profeticamente a falsa segurança do ter, do saber e do poder" (art. 44).